quarta-feira, 29 de junho de 2011

Duas semanas





Duas semanas de dieta.
Ainda não entrei em desespero.
Ainda não matei ninguém. Nem cortei os pulsos.
Acho que o remédio da tireóide está fazendo efeito, tenho suado menos e dormido melhor.
Estou (um pouquinho, cadiquinho, tiquinho de nada) menos mal humorada.

Pensando em dieta lembrei-me de uma amiga do hospital. A Maria vivia em dietas. E as dietas dela eram clássicas: Todos os plantões de manhã ela tirava da bolsa um saco de pão de forma Integral, e um copo de requeijão ligth, e uma caixa de suco de soja.
E comia TUDO. Mas não sobrava nem aquela casca do pão de forma.
No lanche, segundo o papel da dieta que ela andava pra cima e para baixo com ele, constava que ela podia comer frutas e iogurte diet. Pois bem, Maria comia meia banda de melancia, uma penca de sei lá quantas bananas, um abacaxi inteiro... E a garrafa de iogurte.
Olhei o papel da nutri, e estava escrito lá: frutas a vontade e iogurte diet. Frutas a vontade para ela devia significar comer a banca da feira. E como a nutri não escreveu “um copo de iogurte”, Maria achava que podia tomar a garrafa.

Isso no hospital, nem imagino a dieta dela em casa.

E ela passava os dias reclamando que não emagrecia nada
-Como assim? Eu só como coisa de dieta... Só como frutas...

Sei que quase 8 anos depois, ainda vejo a Maria com o mesmo corpo, e com a mesma dieta...
Pelo menos não engorda mais...

Eu sigo na luta, mh dieta é recomendação médica. Mas sigo certinho... até eu cometer algum crime e qdo for presa alegar desespero alimentar...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pega no Flagra (quase)

Esse FDS conversava de madrugada com mh companheira (quem mandou casar com mulher com insônia?) e lembrávamos das aventuras de início de namoro. E quase sempre, sobrava pra quem se dar mal? Você Nem imagina né?
   Era comecinho de namoro, menos de 1mês, tudo era novidade. Tudo era muito mais intenso. Sobretudo pra recém saídas da adolescência.
Ela trabalhava em plantões de 24h, com um paciente particular num grande hospital da Zona Sul. O paciente em estado semi comatoso, não pedia muita atenção, apenas o básico. Diversas vezes eu ia até lá levar algo pra ela comer, e isso antes mesmo de namorarmos. Eu sempre ia num horário que o filho do paciente já havia ido lá, logo, sem perigos.
Vc acha?
Quando eu cheguei, ela estava tomando banho. Ah, claro, por que não entrar no banheiro também? Assim eu fiz. E estávamos começando o amasso, quando, a porta do quarto abre, e a voz do drº Valter (filho do paciente) soa como um trovão:
- vai demorar no banho? Vim trazer as coisas de Papai, que me esqueci de deixar cedo.

PUTZ! E agora? Ela lembrou que ele nunca usa o banheiro, e pediu pra eu ficar dentro dele, pq ele teoricamente, fica pouco tempo. Assim fiquei, com o coração a mil, dentro do banheiro. Quando escutei ele dizer que ia embora:
- To indo, qualquer coisa me liga. Ah, mas deixa eu ir no banheiro lavar as mãos.

Em menos de 1 segundo passaram mil possibilidades na mh cabeça, algumas delas:
  • Pular a janela (ah claro, do 6° andar era uma ótima idéia)
  • Esconder atrás da porta (pequenina assim... não, não, pensa em outra coisa)
  • Dar uma porrada na cabeça dele (no desespero a gente pensa cada coisa...)
  • Entrar no Box.

Pois bem, entrar no Box era a idéia que no momento me pareceu a mais lógica. Mas de pé ele me veria... E aí? Deitei no Chão do Box molhado puxei a cortina (que graças a Deus era fosca) e prendi a respiração.
Lá estava eu molhada, e suada. Desesperada com a situação, e o homem lavando a mão calmamente, ele nunca que desligava a torneira. Quando eu pensei que o horror estivesse no fim, ele resolve urinar.
Afff , ainda essa! Tentava respirar o mais sutil possível. Mas o som do meu coração parecia que ia invadir o banheiro.
E ele lava a mão de novo...

SEIS horas depois (sim, pra mim pareceu isso, imagine pra mh mulher quarto) ele foi realmente embora.

Eu? Ah, eu sobrevivi, claro. E fui pra casa com as costas e a bunda molhada, um crise hipertensiva e com a lição de que nunca mais faria coisas assim.

Peraê, Nunca mais? Depois ainda passei por situações parecidíssimas. Conto numa outra ocasião. 


Juro que pensei que saíria assim do banheiro

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Fantasma do Hospital

Pra quem ainda não sabe, sou de uma raça sofrida e menosprezada: a enfermagem.


Pq sofrida?
Pense em trabalhar em plantões de 12h (geralmente inteiras de pé) , cuidando, tratando, fazendo curativos nas piores feridas imagináveis, trocando fraldas... Enfim, essas coisas que a maioria dos seres mortais não faria. E depois de tudo isso quem recebe os agradecimentos? O médico. Quem ganha beijinho? O médico. Quem ganha presente no fim de ano? O médico. Quem é o grande realizador da cura? O médico. Quem limpa bunda? A enfermagem. (esse parágrafo por si só explica o “Menosprezada” também)
E tudo isso ganhando um salário de fome, que faz vc ter um 2º ou 3º emprego, ou seja, 24h ou 48h direto assim.

Alguns pacientes são inesquecíveis. Alguns momentos idem. Tem paciente que até hj lembro pelo nome, uns pela lição de vida que me passaram (anos trabalhando na enfermaria de doentes crônicos e/ou terminais), outros por momentos hilários.
Em relação a eles tem muita história pra contar, não daria só num post.

Dizem que a enfermaria que trabalhei anos é assombrada. Certa vez eu e mh amiga de plantão havíamos passado as medicações de meia noite. E resolvemos esticar um lençol no chão do posto de enfermagem e deitar um pouco, afinal, as pernas depois de 24h nem respondiam mais. Escutamos os passos de um paciente indo ao banheiro. Eu levantei e não vi ninguém andando, mas vi a luz do banheiro acender.
-Dayse, estranho, ouvi passos, mas não vi ninguém. A luz do banheiro acendeu.
Nesse momento o som da descarga e a luz apagando. Dayse já estava sentada do meu lado para ver quem era no banheiro. E nada. Passaram alguns minutos e Nada.

Fui até o banheiro (quase me cagando de medo) e não tinha ninguém lá. Demos uma volta na enfermaria (juntas e munidas de cabos de vassoura) e todos os pacientes estavam dormindo. Passava de 3h da madruga. Voltamos pro posto e começamos a ouvir gemidos.
-humm
- hummmmmmmmm
- huuuuummmmmmmmmm

Dessa vez nem fomos ao banheiro. Voltamos a olhar os pacientes, e todos dormindo.
Sentamos com nossas armas, digo, vassouras em punho. Até que do banheiro um estrondo aterrorizador, metais e correntes caindo. 
E surge das sombras uma figura de cabelos arrepiados, envolto num lençol.
A essa altura Dayse e eu abraçadas e acuadas, acordamos o hospital inteiro, e em fração de segundos, nossa enfermaria estava cheia de gente. Até que uma boa alma  acendeu a luz. 

E nos deparamos com o paciente do leito 8,  “seu” Jose Segundo (sim esse era o nome dele, o irmão, contam as más línguas era o José Primeiro) enrolado num lençol. 
Todos olhando para nossa cara, atracadas com cabos de vassoura.

Seu José passou minutos reclamando que caiu no Hamper de roupa suja e ninguém foi ajudá-lo, até que ele conseguiu sair de dentro do dito cujo, derrubando as comadres e o carrinho da limpeza. Ele não quis gritar pra não acordar os demais pacientes
(ah claro, a gente Tb nem queria acordar ninguém, foi só um acaso)

Eu literalmente me mijei de rir da situação, e nossos colegas e demais pacientes não entenderam a nossa gritaria. Como explicar o mico? 
Fomos história há dias, quem dirá há anos, e muita gente ainda lembra disso. 

Mas e o que explica o fato de todos os pacientes estarem dormindo nas nossas duas rondas?
Pois bem, a esposa de seu Jose estava dormindo no leito com ele, e qdo ele foi ao banheiro ela continuou deitadinha, porém, coberta dos pés a cabeça. Se estava respirando, pra nós significava paciente vivo.

Depois disso, as nossas noites foram todas com a luz do banheiro acesa, e as vassouras do lado, só pra garantir.



Esse é um Hamper de roupa Suja de hospital 

seu Jose Segundo tinha essa cara, e esse cabelo, a inteligencia... bem... dado o fato dele ter caído num Hamper cheio de roupa de pciente suja...
 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Dieta do Mau humor


Estou numa fase terrível da mh vida: A Dieta
Tratamento da Tireóide descompensada, com remédios que me deixam (mais) mal humorada. Tudo é motivo pro meu humor negro, e claro, para minha delicadeza nas respostas.
Estava eu no mercado agora a pouco, na Fila, esperando pra chegar a minha vez, e uma mulher entra na mh frente. Dei aquela tossidinha básica e ela olhou pra mh cara e perguntou:
- ta na fila?
- NÃÃÃÃO... to esperando meu vôo pra São Paulo. Ele já deve estar pousando.

Porra, uma gorda, na fila do supermercado, cheia de produtos ligth e diet na cesta, com certeza é uma serial Killer em potencial.

Enfim, vinha eu caminhando, (afinal, exercício físico né?) com minha sacolinha quase vazia que me custou mais de R$ 60,00, e ao passar na frente de um campo de futebol, perto da mh casa, escuto um berro, dignos dessas mães lavadeiras com a Bacia de roupa na cabeça:

- EEEEENNNNTTRAAAAAAAAA!! Não quero vc jogando bola com os meninos!!!!! Vá Caçar uma menina pra vc andar junto. Ou vai ver televisão.

Eu, que a essa altura parei assustada com o primeiro grito, comecei a procurar o alvo da mãe enfurecida, e me surge do campo uma menina, com aproximadamente 14 anos, com chuteira nas costas e short de jogo, reclama que não vai poder jogar, e manda:

- Posso ir pra casa da Priscila?
- vc só vive na casa dessa Priscila. Só anda com ela pra cima e para baixo.Tudo é grudada nessa Priscila. Tá, vai lá!

E a menina saiu toda feliz, e saltitante pra casa dessa amiga.

Pois bem... Pense comigo: Chuteira, short de futebol, bola com os meninos, e só anda com a amiga? Grandes indícios de sapatonice aguda!!
Depois essa mãe vai querer reclamar, fazer escândalo, espernear, pro pra fora de casa... Dizer que não sabe como isso aconteceu, que a culpa é dela... Essas coisas de mãe.

Mesmo tomada pelo meu mau humor, eu fiquei pensando no fato.
E eu queria ter a oportunidade de dizer a ela no futuro:
- Minha senhora, a culpa não é sua, nem é o fim do mundo. A Sua filha sempre foi Gay, apenas está te contando agora, se vc tivesse a observado mais, não seria um choque hoje...

Muitos de nós trouxe traços desde a infância, alguns se descobriram adultos, mas Fato, é que não dependemos, mas precisamos sempre do carinho da família. Ninguém morre sem eles, mas se os pudermos ter ao nosso lado...
Como a vida seria melhor pra nós.

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